sábado, 5 de abril de 2008


Declaração de Amor

Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho mas havia um grande berreiro,
um enorme burburinho e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar. Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado, cada um recém-chegado você em saber ouvir, eu sem saber falar.

Tentei de novo, lembro bem, na escola. Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela professora como um gavião. Fui parar na sala da diretora e depois na rua enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.

A vida é curta, longa é a paixão.

Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:"Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo"
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de ressaca, atinei. Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse tudo para uma almofada. Gravei, em vinte árvores, quarenta corações. O teu nome, o meu, flechas e palpitações: No mal-me-quer, bem-me-quer, dizimei jardins. Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de"Mata! Mata!" por conservacionistas, ecólogos e afins. Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:"Se não me segurarem faço um soneto"E não é que fiz, e até com boas rimas? Você não leu, e nem sequer ficou sabendo. Continuo inédito e por teu amor sofrendo. Mas fui premiado num concurso em Minas.
Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco, o asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência. Fui preso, aos socos, e fichado. Dias e mais dias interrogado: era PC, PC do B ou alguma dissidência? Te escrevi com lágrimas , sangue, suor e mel(você devia ver o estado do papel) uma carta longa, linda e passional. De resposta nem uma carinha, nem um cartão, nem uma linha! Vá se confiar no Correio Nacional.
Com uma serenata, sim, uma serenata como nos tempos da Cabocla Ingrata me declararia, respeitando a métrica. Ardor, tenor, a calçada enluarada...havia tudo sob a tua sacada menos tomada pra guitarra elétrica. Decidi, então, botar a maior banca no céu escrever com fumaça branca: "Te amo, assinado.." e meu nome bem legível. Já tinha avião, coragem, brevê, tudo para impressionar você mas veio a crise, faltou o combustível.
Ontem você me emprestou seu ouvido e na discoteca, em meio do alarido, despejei meu coração. Falei da devoção ha anos entalada e você disse "Não escuto banda". Disse "eu não escuto nada".

Curta é a vida, longa é a paixão.

Na velhice, num asilo, lado a lado em meio a um silêncio abençoado direi o que sinto, meu bem. O meu único medo é que então empinando a orelha com a mão você me responda só: "Hein?"

LUIZ FERNANDO VERISSIMO

quinta-feira, 27 de março de 2008

ENIGMA




Olhos que dizem

mas não revelam...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Deus não nos ganha pelos argumentos.Nossos intelectos são caprichosos. Quando há uma fraqueza damos uma desculpa. Quando há uma virtude tentamos ressaltá-la. A gente acredita pelo apoio do dia-a-dia, através de um relacionamento próximo.
Como intelectualizar o amor?
Avançamos não só por entender mas por experimentar. Avanço, vitória e apoio.
É isso que nos ganha.
Se não obedecemos é porque não acreditamos. Deus é mais complexo do que simplesmente saber.
Saber, experimentar e desenvolver esse conhecimento.

Ken O'Donnell

Eu tb não consigo andar devagar na rua, nem nos corredores do hospital. Andar devagar e a passos curtos, como bem diz meu amigo Nando, parece coisa de gente sem objetivo, sem metas, e eu tb não sou assim..

Sempre ando com passos rápidos... algumas colegas pedem que eu tire as rodinha dos pés, mas eu simplesmente não consigo... rs

Antes achava que a vida andava à passos rápidos... não!!!! Sou eu que ando assim.

Atropelo os próprios passos naturais...

Muitas xs só me resta frear e andar no compasso dos meus passos pq senão o des_compasso me leva ao cansaço.

O compasso da vida é mais rápido do que o do amor, e isso causa dor.

Talvez um dia eu aprenda a conciliar as partes e quem sabe, caminhar com sabedoria. Num ritmo saudável!!!!!

Quem sabe?

quarta-feira, 19 de março de 2008

Elixir da Felicidade


A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda...

Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir...

Tudo aquilo que nós lhe oferecemos.



Albert Einstein